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Temposnotempo

Este é um blogue instrumental, feito sem veleidades. Penso nos meus alunos e na forma de o usar para lhes ser útil: experiência que se quer alimentada de experiências... e de invenções dos tempos que não temos tempo para ter...

Este é um blogue instrumental, feito sem veleidades. Penso nos meus alunos e na forma de o usar para lhes ser útil: experiência que se quer alimentada de experiências... e de invenções dos tempos que não temos tempo para ter...

Temposnotempo

20
Set09

esse verão...

temposnotempo

 

 

Vinha meio nu

Trazia uma cesta de vime cheia de amoras

que colhera nas margens do rio

Passara a tarde toda de silvado em silvado

Na sua mão direita um pequeno arranhão

- Tão quente tão quente

esse verão

 

Jorge Sousa Braga

O Poeta Nu

 

08
Jul09

verão

temposnotempo

 

 

 

 

 

Seguiam ainda o corpo.

Num instante

tinha mudado o próprio olhar

do verão.

 

Naquele dia

seguiam

a luz de um demorado crepúsculo.

Quebravam

a queda lenta e branca,

o arco azul.

 

João Miguel Fernandes Jorge,

Tronos e Dominações, 1985

 

 

22
Mar09

Poesia da Primavera

temposnotempo

 

Hoje sentiu-se no ar o cheiro das flores da poesia! Foi o seu dia!

 

 

Regresso, pois, com a Primavera e com o que simboliza em cada ano: a renovação da vida e das cores com que ela se pinta, sol incluido!... E depois os passarinhos, e os ninhos, e os namoradinhos, e os casalinhos, e os pintaínhos... e as flores... e o 2º Período a acabar... e a paragem da  Páscoa a chegar...

 

  

A Primavera, Sandro Boticelli

 

 E porque foi o Dia da Poesia aí vai uma que já foi falada algumas vezes no 9ºA, por causa da peça de teatro que o Grupo "Natural Invenção" , da escola, anda a preparar para estrear já no próximo dia 26, no decurso do Encontro de Teatro Escolar que a Joaquim de Carvalho está a organizar.

14
Fev09

Ainda a poesia do amor...

temposnotempo

Mas o amor é, sobretudo, alegria e marotice! Venham daí ao século XVI espanhol!...

 

        Que alegres são pró triste enamorado

as iras de sua dama com brandura!

Aquele: "Estais em vós? Mas que loucura!"

Aquele: "Deixai-vos disso, descarado!"

         E o benzer-se: "Como haveis entrado?"

E o temer as más línguas com cordura,

o lânguido desmaio e a doçura

daquele: "Ai, que nos ouvem! Que é pecado!"

        O falso defender-se, o malefício,

as lágrimas, o "Ai", o "Eu vos prometo!",

o "Creio me enganais como inimigo".

        Aquele: "Onde estava eu? Tenho juízo?"

"Como vós me deixais! Guardai segredo".

Não há mal que tal bem traga consigo.

 

"Jardim de Vénus", manuscrito, Madrid, 1589

 

In: "Jardim de Poesias Eróticas do  Siglo de Oro", Assírio & Alvim, trad. de José Bento, 1997.

14
Fev09

Versos de amor...

temposnotempo

                       Ed. Assírio & Alvim, 1998

 

 

Já recorri aqui a este livrinho encantador: "Poemas de Amor do Antigo Egipto".

 

Em dia de lembranças desse sentimento único que faz a diferença  da nossa existência, mas que também nos aperta tanto a barriga e a alma (o coração?) e nos traz, às vezes, tantas sensações amargas, volto a ele (quer dizer, a uma época algures entre 1567 e 1085 a.c.!) Pois... evoluímos pouco, eu sei...

 

1

Cobarde, por que murmuras todo o dia no teu coração a

                                                                              palavra do amor?

Porque falas dela incessantemente,

A toda a hora, a qualquer hora

Excepto quando está presente em carne e osso?

Deixa-te disso, homem,

Vai ter com ela, e tenta portar-te como se falasses a sério.

 

2

Encontro o meu amor a pescar

De pés nos baixios.

 

Tomamos juntos o pequeno-almoço

E bebemos cerveja.

 

Ofereço-lhe a magia das minhas coxas

O meu conjuro prende-o.

08
Fev09

1924...

temposnotempo

        André Breton (1896-1966)

 

 

O poema do Pablo Neruda que vos deixei - ah, e já sei que a edição portuguesa das 20 Canções de Amor... é da D. Quixote, de 1973 (e já ia na 13ª edição, em 2003, data do exemplar mais recente da Biblioteca Municipal), e tem uma tradução do Fernando Assis Pacheco - teve edição em 1924 como vos disse.

 

Ano importante, para a poesia, esse: em França André Breton publicou o 1º Manifesto do Surrealismo, documento fundador da primeira fase do movimento surrealista que pretendia "dinamitar" as bases (e não só!) do que até tinha sido a literatura e a poesia (e que depois se espalhou para a pintura e escultura, a publicidade e ficção científica, como vamos ver no 9º ano). Como movimento de ideias, estendeu-se a outros campos do pensamento e da actividade humana, modificando fortemente o gosto e a cultura de massas da primeira metade do século XX (mas não só, porque continua vivo, embora mais circunscrito a no alcance e no número dos seus cultores-mentores).

 

Frases como estas são elucidativas:

 

"Não temos nada a ver com a literatura. No entanto, quando é necessário, somos capzes de nos servir dela, como outros quaisquer." (Declaração colectiva de Janeiro de 1925);

 

"O surrealismo não é um novo ou mais fácil meio de expressão e ainda menos uma metafísica da poesia. É um meio de total libertação do espírito e de tudo o que se lhe assemelhe" (idem);

 

"Somos especialistas da Revolta... O surrealismo não é uma forma poética. É um grito do espírito" (idem).

 

(cont.)

 

 salvador_dali Salvador Dali, Nascimento de desejos líquidos, 1931-32

 

 

04
Fev09

Poesia e música

temposnotempo

Já agora, ainda a propósito da poesia do chileno Pablo Neruda, espreitem e vejam como

ele próprio a disse (imagens dele também):

 

http://www.youtube.com/watch?v=Dz6YQMEOIug

 

E já agora ouçam e vejam como a musicou uma das referências da canção chilena dos anos 70 - Victor Jara (torturado e assassinado, em 1973, pelos fascistas chilenos após o golpe de estado que derrubou o governo democrático de Salvador Allende, que foi assassinado também).

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=QIhHTGYkkHU&feature=related

 

 

e como outros lhe pegaram, depois:

 

http://www.youtube.com/watch?v=1rpNL-3Mu-g&feature=related

 

Que vos parece?

 

02
Fev09

A necessária poesia...

temposnotempo

 

Tem andado arredada cá do blogue a poesia...

 

Faz falta! E como continuo a descobrir que no youtube não há só música ou filmes documentais, mas também da dita - como aliás já ao princípio vos propus naquele post do Paco Ibanez - aí vai uma pequena surpresa para um grandessíssimo (e um tanto esquecido ultimamente) poeta: PABLO NERUDA (1904-1973).

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=wa-PtGBJCyg

 

E agora o poema! Disfrutem e digam-me se gostam! Façam a vossa leitura! E pq não enviá-la para o youtube?

 

ME GUSTAS QUANDO CALLAS

 

Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.
.
Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.
.
Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
Déjame que me calle con el silencio tuyo.
.
Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.
.
Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto

 

(http://www.tinet.org/~elebro/poe/neruda/neruda22.html)

 

Andei à procura de uma tradução mas não opto por nenhuma das que espreitei. Isto de traduzir poesia tem que se lhe diga... Está publicado em livro - é o Poema 15 de 20 Poemas de amor e uma canção desesperada, de 1924 - mas não o tenho. Vou tentar encontrá-lo com mais tempo! Entretanto, se vos interessar, é só pesquisar, ou pelo autor, ou pelo título em português - Gosto quando te calas -, ou pelo livro, ou em conjugação dos três!

 

07
Dez08

Herberto Helder

temposnotempo

Capa

 

mesmo sem gente nenhuma que te ouça,

poema intrínseco dito a português e dentes,

a sangue desmanchado,

com a estria lírica a fervilhar de riscas

rudes, frescas, roucas,

tu que como iluminas pela boca fora

 

Herbero Helder, A Faca Não Corta o Fogo, 2008

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