Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Temposnotempo

Este é um blogue instrumental, feito sem veleidades. Penso nos meus alunos e na forma de o usar para lhes ser útil: experiência que se quer alimentada de experiências... e de invenções dos tempos que não temos tempo para ter...

Este é um blogue instrumental, feito sem veleidades. Penso nos meus alunos e na forma de o usar para lhes ser útil: experiência que se quer alimentada de experiências... e de invenções dos tempos que não temos tempo para ter...

Temposnotempo

02
Dez08

CANTIGA

temposnotempo

Vi o cabo no começo,

Vejo o começo no cabo,

De feição que não conheço

Se começo nem se acabo.

 

Quando meu mal comecei,

Com muito bem começou,

Mas o fim que lhe esperei

No começo se acabou;

Acabou-se no começo,

Pois se começa no cabo,

De modo que não conheço

Se começo nem se acabo.

 

No começo do meu mal

Vi cabos de muito bem,

Mas este bem saiu tal

Que nenhum bom cabo tem;

Faço no cabo começo,

Sendo no começo cabo,

De feição que não conheço

Se começo nem se acabo.

 

Cristóvão Falcão, Trovas de Crisfal, 1536?

 

25
Nov08

PASSADO

temposnotempo

 

Passou o vento, passou o dia,

passou a noite e a manhã,

passou o tempo, passou a gente,

passou cada hora de amanhã;

 

passou um canto esquecido

nos cantos de cada passo,

passou ao dizer que passo

sem se lembrar do compasso;

 

passou a vida como se nada fosse,

só passou e foi-se embora,

passou à pressa, sem demora,

e passou tudo a quem ficou;

 

e se mais não passou

no fim de tudo ter passado,

foi porque algo se passou

no último passo que foi dado.

 

Nuno Júdice, Geometria Variável, 2007                                      

 

04
Nov08

A León Felipe (1884-1968)

temposnotempo

No ano em que se comemora o 40º aniversário da morte do poeta de Zamora, um dos grandes de Espanha, aí vai o primeiro poema que conheci dele, através da voz (magnífica, calorosa) de  Paco Ibanez.

 

Como tú

 

Así es mi vida, mi vida,
piedra,
como tú.
Como tú, piedra pequeña;
como tú, piedra ligera;
como tú.
Como tú, canto que ruedas,
como tú, por las veredas
como tú.
Como tú, guijarro humilde,
como tú, de las carreteras,
como tú.
Como tú, piedra pequeña,
como tú,
Como tú, guijarro humilde,
como tú.
Como tú, que en dias de tormenta,
como tú, te hundes en la tierra,
como tú.
Como tú, y luego centelleas,
como tú,
bajo los cascos,
bajo las ruedas,
como tú
Como tú, piedra pequeña,
como tú.
Como tú, guijarro humilde,
como tú.
Como tú, que no sirves para ser ni piedra,
como tú,
ni piedra de una lonja,
como tú,
ni piedra de un palacio,
ni piedra de una iglesia,
ni piedra de una audiencia... como tú.
como tú,
Como tú. piedra aventurera,
Como tú, que tal vez estás hecha,
como tú,
Como tú, sólo para una honda... como tú,
piedra pequeña,
como tú.
Como tú...

Léon Felipe

 

Oiçam a interpretação de Paco:

http://br.youtube.com/watch?v=Uw9olcPwnzk

 

03
Nov08

Poesia VIVA!

temposnotempo

A GALOPAR! A GALOPAR!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não resisto a partilhar um momento alto que retiro do Youtube: um dos mais afamados  poetas de Espanha, Rafael Alberti, ao vivo, em 1991, a ler um dos seus mais simbólicos poemas (evocativo da guerra civil de Espanha - 1936-1939 - e do desejo dos republicanos de levarem de vencida os fascistas chefiados por Franco, o que não veio a acontecer) ao lado do celebrado cantor, também espanhol,  Paco Ibanez.

 

Eis um momento de celebração extraordinário, já com o poeta muito debilitado fisicamente, mas feliz com a homenagem.

 

Vale a pena!

 

Sobre Alberti vejam: http://www.rafaelalberti.es/POR/RafaelAlberti/Vida_y_Obra.asp

 

Para a poesia e canção: http://www.youtube.com/watch?v=15JfnrqBqSI

09
Out08

Vejo o mundo

temposnotempo

IMAGEM DO MUNDO

 

Vejo o mundo. E ao ver as coisas do mundo,

com a sua realidade própria, vejo também

a diversidade que existe em cada coisa,

distinguindo-a, múltipla ou plural,

como se diz. No entanto, o que eu vejo

é sempre igual ao que eu penso

que o mundo é; e tudo se torna

semelhante, dentro deste mundo que é

o meu, e é sempre diferente do mundo que

existe no pensamento de outro. É por isso

que não penso nas coisas do mundo como

se fossem minhas; e que o deixo para os outros,

para que eles façam o mundo como quiserem,

para que seja diferente do meu, quando o

olho, e o que vejo me restitui o mundo

como eu o quero, diferente do mundo que

os outros pensam. 

 

 

Nuno Júdice, Geometria Variável, 2007

 

08
Out08

Era uma vez...

temposnotempo

EL LOBITO BUENO

 

Érase una vez
un lobito bueno
al que maltrataban
todos los corderos.
Y había también
un príncipe malo,
una bruja hermosa
y un pirata honrado.
Todas estas cosas
había una vez.
Cuando yo soñaba
un mundo al revés.

José Agustín Goytisolo

 

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2010
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2009
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2008
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub