Este é um blogue instrumental, feito sem veleidades. Penso nos meus alunos e na forma de o usar para lhes ser útil: experiência que se quer alimentada de experiências... e de invenções dos tempos que não temos tempo para ter...
24.2.09

cruzeiro_seixas.jpg

Dizia-vos na aula que o Surrealismo está vivo.

 

Exemplos para um dos fundadores do surrealismo português e um dos nossos mais importantes pintores e poeta: Cruzeiro Seixas (1920)

 

 

Era um pássaro alto como um mapa
e que devorava o azul
como nós devoramos o nosso amor.

Era a sombra de uma mão sozinha
num espaço impossivelmente vasto
perdido na sua própria extensão.

Era a chegada de uma muito longa viagem
diante de uma porta de sal
dentro de um pequeno diamante.

Era um arranha-céus
regressado do fundo do mar.

Era um mar em forma de serpente
dentro da sombra de um lírio.

Era a areia e o vento
como escravos
atados por dentro ao azul do luar.


cruzeiro seixas
em "áfricas", 1950,
poema integrado no 1º caderno do centro de estudos do surrealismo,
da fundação cupertino de miranda, de vila nova de famalicão
in público, sábado, 2 de dezembro de 2000

(in http://canaldepoesia.blogspot.com/2008/10/cruzeiro-seixas-poema.html)

 

 

link do postPor temposnotempo, às 18:23  ver comentários (1) comentar

 

    Fernando Pessoa (aos vinte anos)

 

 

Ser compreendido é prostituir-me.

 

 

Mas a verdade é que precisamos de compreendê-lo...

 

Os anos 10 e 20 são os mais importantes da sua actividade depois de regressar definitivamente a Lisboa, em 1905: o projecto da revista "Orpheu" é de 1915 e a 1917 ficará ligado o da revista "Portugal Futurista", apreendida pela polícia à saída da tipografia.

Aos anos de 1924 e 1925 ficarão ligados os 5 números da revista "Athena" e, a partir de 1927, encetará a importante colaboração com a revista "Presença", colaborando, entre outros, com o figueirense João Gaspar Simões.

 

Para o conhecer e compreender aconselho uma importante ferramenta, mesmo à mão: a base de dados Arquivo Pessoa e o portal Multipessoa, disponíveis desde finais de Novembro do ano passado, na Internet.

 

http://multipessoa.net

 

Vida e obra, obra pública, textos, heterónimos, percursos temáticos e... o que as "navegações" mais derem! Espreitem!

 

 

 

 

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

 

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa/Bernardo Soares (heterónimo), 1930

 

link do postPor temposnotempo, às 17:50  comentar

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