Este é um blogue instrumental, feito sem veleidades. Penso nos meus alunos e na forma de o usar para lhes ser útil: experiência que se quer alimentada de experiências... e de invenções dos tempos que não temos tempo para ter...
2.2.09

 

 

Ainda sobre a 1ª República Portuguesa e o exercício do voto, nomeadamente no 1º  acto eleitoral realizado pelos republicanos, regulado pela lei eleitoral de 1911.

 

Como vimos poderiam votar apenas os maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever ou que fossem chefes de família há mais de um ano.

 

Carolina Beatriz Ângelo (1877-1911), republicana convicta, que lutou pela eclosão da República em 1910 e foi a primeira médica operadora portuguesa, aproveitou a situação e imediatamente fez um requerimento para ser incluída no recenseamento eleitoral: era chefe de família (viúva) e tinha a seu cargo uma descendente menor (a filha, com sete anos).

 

“Ex.mo  sr. presidente da comissão recenseadora do 2º bairro de Lisboa. - Carolina Beatriz Ângelo, abaixo assinada, de trinta e dois anos de idade, natural da cidade da Guarda, freguesia de S. Vicente, viúva, médica residente em Lisboa, rua António Pedro, S. D., 1º andar, freguesia de S. Jorge de Arroios, 2º bairro, como cidadão português, nos termos dos artigos 18º e 20º do Código Civil, não excluída dos seus direitos públicos de eleitor por qualquer dos impedimentos taxativamente enumerados no artigo 6º do decreto com força de lei de 14 de março de 1911, e estando antes, compreendida em ambas as categorias de eleitoridade dos n.º 1º e 2º do artigo 5º do decreto referido, por quanto não só sabe ler e escrever, mas é chefe de família, vivendo nessa qualidade com uma filha menor, a cujo sustento e educação prevê com o seu trabalho profissional, bem como aos demais encargos domésticos - pretende em tempo e para todos os efeitos legais que o seu nome seja incluído no novo recenseamento eleitoral a que tem de proceder-se, por virtude dos artigos  15º e 16º  e outros do decreto citado de 14 de março de 1911. // Para tanto o requer a v. exª, tendo em vista o disposto nos artigos 17º e 18º do mesmo decreto com força de lei. Lisboa, 1 de abril de 1911. (Junta-se a certidão de idade). (Assinada), Carolina Beatriz Ângelo”[27].
www2.fcsh.unl.pt/facesdeeva/eva_arquivo/revista_11/eva_arquivo_numero11_j.html

 

Com um despacho posterior, favorável, de um juiz,  que entendeu que a lei admitia, de facto, essa interpretação ao não vincar especificamente que apenas admitia o voto masculino, Carolina votou mesmo, tornando-se uma das primeiras mulheres da Europa e do mundo a exercer esse direito (iniciado em 1893, na Nova Zelândia), por que tanto lutaram desde o final do século XIX as chamadas "sufragistas" (Emmeline Pankhurst, Emily Davison, Millicent Fawcett, Carolina Ângelo, etc. etc.).

 

http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Carolina_Beatriz_Angelo.htm

http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Hist_mulheres_em_portugal.htm

 

link do postPor temposnotempo, às 17:04  comentar

29.12.08

 

 

A propósito dos problemas morais do personagem criado pelo Quino - post anterior  - vejam algum material sobre a sua obra e a sua criação especial: a Mafalda e a sua turma!

Espreitem!

 

http://oficinadahistoriad.blogspot.com/

 

link do postPor temposnotempo, às 10:33  comentar

9.11.08

Foi a maior manifestação laboral de sempre de um só grupo profissional em Portugal!

 

               

 

Se em Março os 100 mil tinham impressionado, que dizer dos 120 mil (!) de ontem?

 

Foi um mar de gente! De profissionais indignados, feridos no seu orgulho profissional, unidos no direito do protesto cívico, nacional! A mobilização da Plataforma Sindical foi importante - da Figueira saíram 5  autocarros -, mas a organização espontânea - em autocarros ou carros particulares (e da nossa escola saiu um autocarro com 60 professores, assim organizados...) - terá sido igualmente determinante!

 

De todos os quadrantes políticos estão surgiram apoios. Resta ao governo e à ministra reflectirem:é possível que não seja da maior gravidade o que mobiliza assim e leva à rua - pela segunda vez em tão pouco tempo - 75%-80% dos professores portugueses?

 

               

 

Fico à espera de atitudes políticas de bom-senso: a bem das nossas escolas, da nossa dimensão profissional e, sobretudo, do presente e futuro dos nossos alunos, razão de ser de todos os nossos esforços, afinal!

 

(fotografias do semanário SOL)

link do postPor temposnotempo, às 11:43  ver comentários (5) comentar


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