Este é um blogue instrumental, feito sem veleidades. Penso nos meus alunos e na forma de o usar para lhes ser útil: experiência que se quer alimentada de experiências... e de invenções dos tempos que não temos tempo para ter...
31.10.10

 

 

   Pormenor de uma pintura da Flandres (A Peste Negra em Tournai)

http://umolharsobreomundodasartes.blogspot.com/2009/10/acontecimento-peste-negra.html

 

 

Muito do nosso imaginário europeu, no que se refere ao século XIV, está ligado a um acontecimento absolutamente trágico - creio mesmo que o mais trágico de sempre, olhando à percentagem (aproximada, uma vez que não se possuem números exactos) do número de vítimas (entre 30 e 40% da população europeia, em média, conforme as regiões - várias dezenas de milhões de mortos, portanto): a "Peste Negra".

 

 

 

 

A peste, nesses tempos recuados (documentada já no século V a.c., em Atenas, por exemplo, onde Péricles morreu de peste)  era um fenómeno habitual, endémico.

 

Sem perceberem as suas causas (nada se sabia então sobre vírus, bactérias, infecções), julgavam que a peste era um castigo divino. Mas ao mesmo tempo foram percebendo a ligação que existia entre os períodos de peste e a chegada às cidades de comerciantes estrangeiros provenientes de zonas contaminadas.

 

Não dispondo de meios científicos para a debelarem, só restava a esses homens e mulheres, para além desse controlo de chegadas, a fuga desesperada quando os primeiros casos se declaravam, na tentativa desesperada de se afastarem dos infectados.

 

Quando já era tarde ou não o podiam fazer, restava-lhes recorrer aos meios de combate disponibilizados (totalmente ineficazes) pelos escassos meios "médicos" existentes: o isolamento dos doentes; as fumigações e a queima das roupas, casas e pertences dos infectados; as rezas e procissões expiatórias (em que os participantes se auto-flagelavam com chicotes e outros instrumentos agressores); as danças místicas; poções e unguentos "mágicos" e pouco mais. São tempos de obscurantismo e, por isso, da prática de atrocidades terríveis: na Alemanha, na França, na Catalunha, por exemplo, as populações culpam e massacram os judeus, acusados em muitos casos de terem envenado a água dos poços.

 

 

  

   Médico da época com um vestuário anti-peste

 

      http://pt.wikipedia.org/wiki/Peste_negra

 

 

Classicamente as causas desta epidemia, considerada uma "peste bubónica" foram atribuídas a bactérias do tipo da "Yersinia pestis", tendo os ratos e as pulgas como veículos da inoculação principais. Presentes nos ratos, eram essas bactérias transmitidas às pulgas que, depois, ao picarem os seres humanos, lhas inoculavam. Outros meios de inoculação eram possíveis: mordedura de ratos, contacto com cadáveres infectados, inalação de gotículas de saliva contaminada ou contacto com sangue igualmente contaminado.

 

A evolução da doença era rápida e os sintomas horrorosos: verificava-se o aparecimento de chagas ("bubões") que ao multiplicar-se deixavam o corpo todo negro, daí a designação da epidemia que ficou para a História. Mas um outro tipo de sintomas surgiu também então: uma infecção pulmonar que evoluia mutio mais depressa e se transmitia rapidamente pelo ar (saliva).

 

Em Portugal terá entrado em Setembro de 1348, tendo sido as cidades e as zonas de mosteiros as mais afectadas. Calcula-se que cerca de dois terços da população terá sido atacada e cerca de um terço não terá sobrevivido.

Mas o pior é que ao surto de 1348-1350 se seguiram outros que, embora menos mortíferos, ainda debilitaram mais - fisicamente e moralmente - as populações: há registos nos documentos de "peste" em 1356, 1361-63, 1374, 1383-85, 1389, 1400, 1414-16, 1423, 1429, 1432, 1437-39, 1448-52, 1456-58, 1464, 1472, 1477-81 e 1483-87, todas elas com correspondência europeia (sigo, A.H. de Oliveira Marques, Portugal na Crise dos Séculos XIV e XV, Presença, p.21).

 

No entanto, outros estudos têm vindo a alertar para a provável acção conjugada de vírus, de tipo hemorrágico, ou mesmo para o facto de ser essa a causa principal da "pestilência, e estarmos perante uma "peste hemorrágica" e não "bubónica".

 

 

 

No século XVIII a Peste começou a desaparecer da Europa. Em Portugal a última foi em 1899, na cidade do Porto. Hoje a ciência médica dispõe de meios cada vez mais eficazes, embora as epidemias graves continuem a assolar as populações de todo o mundo.

 

link do postPor temposnotempo, às 11:56  comentar

De temposnotempo a 4 de Novembro de 2010 às 11:44
Não esqueçam os comentários para a questão da Peste!

De Ruben Santos a 5 de Novembro de 2010 às 14:05
Peste de Atenas, Peste de Siracusa, Peste Antónima, Peste Justiniana

De temposnotempo a 5 de Novembro de 2010 às 15:40
Atenção à questão! Pretende-se que façam pesquisas sobre as epidemias actuais, que a ciência ou a pobreza de meios ainda não conseguiram debelar.
Prof.

De Ruben Santos a 5 de Novembro de 2010 às 21:03
Os diabetes e a sida podem contar stor ?

De Ruben Santos a 6 de Novembro de 2010 às 12:25
http://doencasxxi.blogs.sapo.pt/ este blog tem muitas doenças do nosso seculo mas só que algumas já têm cura stor

De Ruben Santos a 6 de Novembro de 2010 às 12:29
Colera ...

De miguel a 7 de Novembro de 2010 às 14:36
os tipos de peste que encontrei foram:
-peste bubónica , que se pode apanhar com a mordida de um roedor; é perigosa e necessita de ajuda medica; não é contagiosa; os sintomas são febre,calafrios,dores de cabeça e fraqueza muscular.
eu vou enviando mais tipos de peste.

De miguel a 7 de Novembro de 2010 às 15:13
A peste pneumónica:
-Pode-se apanhar estando perto de uma pessoa ou animal infectado; é perigosa e contagiosa se não se receber ajuda medica pode-se morrer; os primeiros sintomas são febre,dores de cabeça e fraqueza muscular;passado uns dias haverá a dificuldade respiratória.

De temposnotempo a 10 de Novembro de 2010 às 22:50
Também a associamos à Peste Negra. Mas a questão é: ainda existem no nosso tempo? Podes pesquisar sobre isso? Vemos depois na aula. Prof

De temposnotempo a 10 de Novembro de 2010 às 22:49
Muito bem Miguel, mas se reparares a Peste Negra foi, numa das suas variantes, deste tipo. Prof

De temposnotempo a 10 de Novembro de 2010 às 22:48
Aí está uma terrível, activa em vastas áreas do Planeta em surtos epidémicos violentos (como o que está, infelizmente, a decorrer no Haiti) e com mortalidades elevadas. Prof

De temposnotempo a 10 de Novembro de 2010 às 22:45
Mas valerá para as que não têm! Poderemos espreitar na aula, com os colegas e tirar conclusões! Prof

De temposnotempo a 10 de Novembro de 2010 às 22:44
Tens que pensar: se tiverem efeito epidémico, contam!
Prof

De Anónimo a 11 de Novembro de 2010 às 22:14
Yo é o Chen, uma das epidemias é a varióla vi aqui(http://www.universo42.com/curiosidades/as-dez-piores-epidemias-do-mundo/2/)

De temposnotempo a 11 de Novembro de 2010 às 23:23
Bem Chen! Mas curto! Nesse sítio fala-se de mais nove. Não queres espreitar melhor? Prof

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