Este é um blogue instrumental, feito sem veleidades. Penso nos meus alunos e na forma de o usar para lhes ser útil: experiência que se quer alimentada de experiências... e de invenções dos tempos que não temos tempo para ter...
25.11.08

 

Passou o vento, passou o dia,

passou a noite e a manhã,

passou o tempo, passou a gente,

passou cada hora de amanhã;

 

passou um canto esquecido

nos cantos de cada passo,

passou ao dizer que passo

sem se lembrar do compasso;

 

passou a vida como se nada fosse,

só passou e foi-se embora,

passou à pressa, sem demora,

e passou tudo a quem ficou;

 

e se mais não passou

no fim de tudo ter passado,

foi porque algo se passou

no último passo que foi dado.

 

Nuno Júdice, Geometria Variável, 2007                                      

 

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24.11.08

De toda as modificações causadas pelo tempo, nenhuma afecta tanto as estátuas como a alteração do gosto daqueles que as admiram.

 

 

 

 

Marguerite Yourcenar, O Tempo esse grande escultor, 1983

link do postPor temposnotempo, às 23:55  comentar

 

É velha a máxima: "a História faz-se com documentos"!... mas há casos em que convém dizer com as palavras (deliciosas) de Lucien Fevbre:  "quando os há"!...

 

Pois... porque, alguns - muitas vezes dos mais preciosos, pelo que escondem -, só os há mesmo de vez em quando,  somente nos momentos em que a força do tempo decorrido lhes tira os carimbos de "top secret", ou (simplesmente) "confidencial". Em Portugal a regra geral aponta para os 35 anos de protecção, mas para os tais "especiais" chega aos 50. E pense-se na importância da disponibilização para os historiadores de arquivos como os de Salazar, Caetano ou Pide, ou da 2ª Guerra Mundial, dos nazis, do Holocausto, dos poderes soviéticos, do FBI, dos da Guerra do Golfo, ou dos que no futuro esclarecerão a invasão do Iraque, as políticas espaciais, os programas nucleares e por aí fora.

 

Em Abril passado um livro português trouxe bem à tona estes assuntos: Portugal Classificado - documentos secretos norte-americanos, 1974-75.

 

Há uns anos - início do século - foi libertada variada documentação dos arquivos da Ford Library que acolhe arquivos do período da presidência de Gerald Ford  (1974-77) e da acção do Secretário de Estado  Henry Kissinger (1973-77). O jornalista Nuno Simas embrenhou-se fundo neles e pôde, por isso, trazer a lume documentação inédita que confirma com novos dados o que outras investigações já tinham comprovado: o enorme envolvimento directo dos EUA na política portuguesa, logo após o 25 de Abril de 1974, com  a finalidade de impedir a afirmação da presença soviética durante o processo revolucionário (e isto no quadro mais geral da "Guerra Fria" , que marcava as relações entre as duas (opostas) super-potências e seus múltiplos aliados, nesses anos).

 

Apenas um exemplo: pela primeira vez é possível saber o que disseram Vasco Gonçalves e Costa Gomes nos encontros com Ford e Kissinger. Ou o que comentavam sobre Portugal o presidente e o secretário de Estado norte-americanos nas suas conversações com líderes mundiais. (p.13)

 

 

link do postPor temposnotempo, às 23:19  comentar

13.11.08

 

Esta semana, entre as aulasde segunda e as de quinta (9º ano), a 11, o mundo evocou o fim de um dos mais estúpidos dos flagelos: a 1º Guerra Mundial.

 

Fruto da cegueira de políticos e militares ainda impregnados dos valores do século XIX, que não souberam compreender para onde os atiraria uma primeira Grande guerra industrializada e mecanizada, o conflito transformar-se-ia numa tragédia de dimensões inumanas, sem precedentes na história: mais de 12 milhões de mortos e mais de 20 milhões de feridos e estropiados.

 

                   

 

Depois da assinatura do armistício final entre os aliados vencedores e a Alemanha derrotada (antes já haviam capitulado os países que lutaram ao seu lado), o mundo respirou de alívio! Para muitos historiadores só nessa altura começou, verdadeiramente, sobre a triste evidência dos destroços, o século XX!

 

Evoquemos pois essa data pensando na paz, na riqueza inultrapassável da paz!

link do postPor temposnotempo, às 22:25  ver comentários (13) comentar

10.11.08

 

Eu só tenho palavras, essa miséria. Mas é de tal miséria que terá de surgir a maravilha, num súbito rigor de lábios.

 

Eugénio de Andrade, Rosto Precário  

 

link do postPor temposnotempo, às 15:36  ver comentários (1) comentar

9.11.08

Foi a maior manifestação laboral de sempre de um só grupo profissional em Portugal!

 

               

 

Se em Março os 100 mil tinham impressionado, que dizer dos 120 mil (!) de ontem?

 

Foi um mar de gente! De profissionais indignados, feridos no seu orgulho profissional, unidos no direito do protesto cívico, nacional! A mobilização da Plataforma Sindical foi importante - da Figueira saíram 5  autocarros -, mas a organização espontânea - em autocarros ou carros particulares (e da nossa escola saiu um autocarro com 60 professores, assim organizados...) - terá sido igualmente determinante!

 

De todos os quadrantes políticos estão surgiram apoios. Resta ao governo e à ministra reflectirem:é possível que não seja da maior gravidade o que mobiliza assim e leva à rua - pela segunda vez em tão pouco tempo - 75%-80% dos professores portugueses?

 

               

 

Fico à espera de atitudes políticas de bom-senso: a bem das nossas escolas, da nossa dimensão profissional e, sobretudo, do presente e futuro dos nossos alunos, razão de ser de todos os nossos esforços, afinal!

 

(fotografias do semanário SOL)

link do postPor temposnotempo, às 11:43  ver comentários (5) comentar

6.11.08

      O jornal Expresso de 18 de Outubro publicou um artigo sobre este assunto dando voz ao arqueólogo Francisco Alves que participou nas escavações e nos trabalhos de levantamento e registo dos achados.

 

      Para as diversas perguntas que se têm colocado sobre a nacionalidade do navio e a época dos achados, Francisco Alves traz a resposta: uma (nada) simples moeda (entre os milhares que foram resgatadas)!!

 

      Nada mais, nada menos do que um "português", a moeda de ouro mais cara cunhada na época: "O tipo de carga, pelas suas características particulares, já indicava que a embarcação seria portuguesa, mas a moeda define-o claramente e consegue datar o naufrágio, pois no seu reverso está escrita a data da cunhagem, Outubro de 1525"

(Francisco Alves).

 

Apresentação em Flash PLayer

 

 

 

 

 

     Sobre esta moeda, cunhada em Portugal - com o ouro africano da feitoria da Mina - entre 1493 e 1538,aconselho vivamente uma publicação online do Banco de Portugal.

 

 

 

 

É uma delícia! Espreitem! Vale a pena!

 

http://www.bportugal.pt/servs/museu/OPortugues_flash.htm

 

 

 

link do postPor temposnotempo, às 22:49  comentar

4.11.08

No ano em que se comemora o 40º aniversário da morte do poeta de Zamora, um dos grandes de Espanha, aí vai o primeiro poema que conheci dele, através da voz (magnífica, calorosa) de  Paco Ibanez.

 

Como tú

 

Así es mi vida, mi vida,
piedra,
como tú.
Como tú, piedra pequeña;
como tú, piedra ligera;
como tú.
Como tú, canto que ruedas,
como tú, por las veredas
como tú.
Como tú, guijarro humilde,
como tú, de las carreteras,
como tú.
Como tú, piedra pequeña,
como tú,
Como tú, guijarro humilde,
como tú.
Como tú, que en dias de tormenta,
como tú, te hundes en la tierra,
como tú.
Como tú, y luego centelleas,
como tú,
bajo los cascos,
bajo las ruedas,
como tú
Como tú, piedra pequeña,
como tú.
Como tú, guijarro humilde,
como tú.
Como tú, que no sirves para ser ni piedra,
como tú,
ni piedra de una lonja,
como tú,
ni piedra de un palacio,
ni piedra de una iglesia,
ni piedra de una audiencia... como tú.
como tú,
Como tú. piedra aventurera,
Como tú, que tal vez estás hecha,
como tú,
Como tú, sólo para una honda... como tú,
piedra pequeña,
como tú.
Como tú...

Léon Felipe

 

Oiçam a interpretação de Paco:

http://br.youtube.com/watch?v=Uw9olcPwnzk

 

link do postPor temposnotempo, às 14:43  comentar

3.11.08

A GALOPAR! A GALOPAR!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não resisto a partilhar um momento alto que retiro do Youtube: um dos mais afamados  poetas de Espanha, Rafael Alberti, ao vivo, em 1991, a ler um dos seus mais simbólicos poemas (evocativo da guerra civil de Espanha - 1936-1939 - e do desejo dos republicanos de levarem de vencida os fascistas chefiados por Franco, o que não veio a acontecer) ao lado do celebrado cantor, também espanhol,  Paco Ibanez.

 

Eis um momento de celebração extraordinário, já com o poeta muito debilitado fisicamente, mas feliz com a homenagem.

 

Vale a pena!

 

Sobre Alberti vejam: http://www.rafaelalberti.es/POR/RafaelAlberti/Vida_y_Obra.asp

 

Para a poesia e canção: http://www.youtube.com/watch?v=15JfnrqBqSI

link do postPor temposnotempo, às 23:03  ver comentários (1) comentar

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