Este é um blogue instrumental, feito sem veleidades. Penso nos meus alunos e na forma de o usar para lhes ser útil: experiência que se quer alimentada de experiências... e de invenções dos tempos que não temos tempo para ter...
14.2.09

Mas o amor é, sobretudo, alegria e marotice! Venham daí ao século XVI espanhol!...

 

        Que alegres são pró triste enamorado

as iras de sua dama com brandura!

Aquele: "Estais em vós? Mas que loucura!"

Aquele: "Deixai-vos disso, descarado!"

         E o benzer-se: "Como haveis entrado?"

E o temer as más línguas com cordura,

o lânguido desmaio e a doçura

daquele: "Ai, que nos ouvem! Que é pecado!"

        O falso defender-se, o malefício,

as lágrimas, o "Ai", o "Eu vos prometo!",

o "Creio me enganais como inimigo".

        Aquele: "Onde estava eu? Tenho juízo?"

"Como vós me deixais! Guardai segredo".

Não há mal que tal bem traga consigo.

 

"Jardim de Vénus", manuscrito, Madrid, 1589

 

In: "Jardim de Poesias Eróticas do  Siglo de Oro", Assírio & Alvim, trad. de José Bento, 1997.

link do postPor temposnotempo, às 12:09  comentar

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